sexta-feira, 14 de setembro de 2012

A cura.


Flora, fora criada em meio a uma família marcada pela  tragédias e sofrimentos.
Seu pai, era  um homem bruto e violento, devido ao forte consumo de álcool .
Desde criança, ela observava todo o sofrimento que sua mãe passava junto aos seus irmãos, e ela como era muito pequena, nada podia fazer para ajuda-los.
Por muitas vezes a menina podia ouvir o choro silencioso de sua mãe, e isso só aumentava o sofrimento daquela menina pura e ingênua.
Seu pai por sua vez, era quem tomava todas as decisões daquela casa.
E prometera sua mão em casamento ainda criança para um jovem que morava próximo a sua casa.
Flora então passava dias e dias só imaginando de como seria seu futuro.
Já que a mesma não teria escolha em decidir sua própria vida.
Os anos foram se passando, e as violências só aumentavam dentro de sua casa.
A jovem menina cresceu sua beleza era como a lua, seu cabelos negros como ébano sua pele era tão branca que se confundiam com a neve que caira naquele inverno.
Sua mãe, com o passar dos anos, já estava cansada devido sua idade, e acamada  já que suas pernas perdera as forças.
Flora em quem cuidava dos afazeres domésticos e de seus irmãos.
O pai como sempre embriagado,já não se importava mais com a família .
As brigas eram constantes,todos já não aguentavam mais conviver com a violência daquele homem.
E decidem então abandonar o lar e viverem em outro vilarejo.
Seu pai inconformado pelo abandono de sua família, resolve então marcar a data do casamento de Flora, assim eles teriam que voltar, já que o rapaz com quem Flora se casaria, mantinha sua residência próximo a eles.
Sua mãe então, desencarna-se
Aquela casa se tornara um lar  de tristeza e lágrimas devido a falta de quem sempre os protegeu de toda a maldade e crueldade causada por aquele homem.
Flora então, começa a arrumar seu enxoval e sonhava com um mundo diferente ao de sua mãe.
Como ela não tinha escolha por seu futuro, sonhava com um lar feliz e de grande harmonia.
Aquele homem que seu pai o escolhera para ser seu esposo, demostrava grande carinho e ternura por sua prometida.
Mas, a sua trajetória de sofrimentos, iriam se perdurar por muitos anos ainda.
Finalmente chega então o dia de seu casamento.
Flora estava ainda mais bela dentro daquele vestido branco com sua longa cauda de rendas.
Ali, estava toda a pureza e ingenuidade daquela jovem.
Não demora muito para Flora perceber que estaria novamente vivendo dentro de um campo de concentração.
Seu corpo fora violado com tanta agressividade que Flora passou então  a sentir medo de quando chegava a noite e ter que dividir o mesmo espaço com aquele homem, que um dia lhe demonstrou carinho e ternura.
No dia seguinte as marcas deixadas em seu corpo,lhe causavam um enorme vazio dentro de sua alma.
Flora era mantida em carcere privado, mal podia ver a luz do sol e sem companhias, pensava muito em sua mãe e por todo o seu sofrimento.
Novamente a noite chega, seu corpo seria novamente violentado, novas marcas surgiriam.
E como sempre, Flora amanhecia chorando e sem um destino certo para sua vida.
Flora então já cansada da vida que está vivendo, leva um copo de veneno em sua boca.
Nesse momento a presença de sua mãe, faz com que a jovem desista de tirar sua própria vida.
E ouve o que a mãe lhe viera dizer.
- Minha filha, não faça isso o seu sofrimento será ainda maior, somente Deus tem esse direito de nos recolher na hora exata.
A mãe continua a lhe dizer, a jovem a ouve com muita atenção.
- Filha! você fará o seguinte:
-Para cada sofrimento seu, para cada lágrimas que você derrubar, colha uma rosa branca e coloque ao lado de seu marido,o perfume dessa rosa, lhe dará uma surpresa em sua vida e  um dia você entenderá .
E foi assim que fez Flora.
Todas as noites Flora arranca uma rosa do vaso e coloca na cabeceira de seu companheiro.
-Ele então a pergunta o que faz aquela rosa ali?
-Ela diz que era para enfeitar o quarto com sua beleza.
O marido de Flora nada diz apenas sai dando risadas e dizendo que isso era besteiras de mulher apaixonada.
Certa manhã o marido de Flora passa muito mal devido a uma dor em seu peito.
Como era de costume do povo daquele vilarejo, ele o procura por um curandeiro que lhe diz algo que o deixa intrigado.
Somente o perfume de uma rosa branca  poderá lhe salvar.
Mas o curandeiro lhe alertaria que somente faria efeito se quem as cultivavam, teria vida.
Caso contrário esse homem nada podia fazer para lhe salvar a vida.
Nesse momento, ele se lembra das rosas que sua esposa deixara em sua cabeceira.
E foi  correndo até sua casa, mas o destino havia lhe preparado uma surpresa.
A mãe de Flora havia ido buscar o que lhe pertencia de mais precioso, sua filha.
As rosas brancas que fora ali deixadas, se transformaram em rosas vermelhas como sangue.
Aquele homem pode então entender que estaria condenado para sempre.
E notara então,  sair por sua janela um lindo pássaro a voar entre as flores com uma rosa branco em seu bico.
Comentam-se que muitos já viram um homem com um ramalhete de rosas na mão a procura de sua cura que nunca terá fim..

Aut: Vanira de Oliveira.


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