sábado, 4 de agosto de 2012
Amor além da vida.
'' O que venho lhes contar é uma simples história de amor, com dois jovens ingênuos perdidos por devaneios do destino. Se aproximem, e ouçam com atenção. ''
Em meados do século passado, em uma fazenda distante. Existia uma doce jovem de longos cabelos ruivos e cintilantes, sua pele tão branca como a lua, e mais sedosa do que os véus de seda pura de uma rainha. Seu coração era puro,nobre, assim como sua essência. Seus olhos azuis céu transmitia toda uma inocência que a via dentro do seu próprio ser. Era moça de família, jóia rara aos olhos de seu pai, sua única herdeira, já que perdera a mãe tão nova por causa da peste.
Nada abalava Katherine, sempre tão sapeca e levada, que toda as suas graças de criança deixava os criados da fazenda de cabelo em pé. O que as vezes a deixava triste era que a menina era sozinha, perdera a mãe antes de lhe dar um irmãozinho ou uma irmãzinha para brincar, e seu pai vivia ocupado com as coisas da fazenda, mas ela não podia reclamar, ele lhe dara de tudo, e sempre que podia sentava todas as tardes de primavera, na cadeira de balanço junto a ela em seu colo, para sentir o doce aroma das flores e ver todos os tipos de cores e tamanho de borboletas que dançavam em vôos. -
Os anos se passaram e ele não queria jamais que o seu doce rouxinol crescesse. E nada pode parar o tempo e Katherine havia crescido -, se tornado uma mulher de atitude e forte, assim como seu pai lhe ensinara a ser. Mas a inocência transmitida pelo olhar da menina jamais mudara, ela continuara a mesma garotinha doce e inocente, alguns dos criados até a comparavam com um anjo, pois em qualquer lugar que ela passasse, botões de rosa se abriam, contemplando junto a sua beleza. Sempre fora sonhadora, vivia aventuras em suas imaginações dentro dos livros que seu pai lhe dera. -, Algo tirava seu sono, era um dia poder encontrar um amor que completasse junto de sua alma.
Era Outono e seu pai estava doente, e Katherine temia perdê-lo também, só que sentia no fundo de seu coração que estava na hora de deixa-lo partir.
E então o senhor cansado, deitado sobre a cama, com sua filha ao lado, abraçou-a, afagou-lhes algumas madeixas do lindo cabelo cor de fogo da menina, e então sussurrou:
- Ah, meu adorável rouxinol ! Partirei-me agora para junto de sua mãe,mas não esqueça-te sozinha não estarás. E lembre-se, o que mais belo dentro de ti, viverás para sempre.
Katherine não conseguia falar, apenas assentiu. Então fechou os olhos de seu pai e o viu dormir para sempre, e lagrimas salgadas molharam sua face de anjo.
Já se passara algum tempo desde que seu pai tinha falecido e agora a fazenda era por sua conta, havia negócios demais para cuidar e pessoas novas para admitir-se para trabalhar. Alguns ciganos estavam de passam por ali e pediram-lhe teto e comida em troca de serviços. Como acolhia todos que chegava, aceitou a proposta e se tornou companheira de seus novos empregados, foram muito bem recebidos.
Um simples detalhe lhe chamou a atenção, um rapaz sentado na caroça, de uma pele morena, um corpo forte, e seus cabelos negros como a noite amarrados na altura do ombro, seus olhos eram intensos, mais verde do que a mais bela esmeralda ;- E se encontraram junto aos dela. Apenas o olhou e sentiu algo lhe golpear a alma, como se o conhecesse em todas as vidas que tivera, cada parte em seu corpo vibrava, até achou que estava com febre. Assim se olharam por segundos, os segundos mais longos de sua vida.
Katherine ao se deitar não conseguia dormir ao lembrar daquele olhar e algo em sua mente martelava. '' - Mas quem pode ser? De onde viestes? ''. Por fim de tanto pensar, estava exausta e pegou no sono profundo, acabou sonhando que estava dentre os braços daquele desconhecido.
Já amanhecera e acordou com uma de suas criadas abrindo as cortinas como fazia todas as manhãs, para que o sol pudesse invadir todo seu quarto, iluminando todo o seu espaço.
- Vamos minha senhora, o dia está lindo, ouça o canto dos passáros.
E a menina mulher então relaxou e pode ouvir os mais belos cantos adentrar teus ouvidos e lhe manter em uma calma plena e serena, precisava dar uma passeada e ver com os olhos o que de mais belo a natureza tinha a lhe oferecer.
Vestiu-se. E foi para o seu passeio,estava calor e resolveu banhar-se na cachoeira que estava por ali, aos poucos foi despindo-se, sua pele entrava em sintonia com as cores ao seu redor, o contraste dos seus cabelos ruivos destacavam-se.
Se divertia com mergulhos e batidas de pés na água, nem se preocupara se chegaria ou não alguém ali, só estava entregue junto a água. Ao sair de seu banho e começar a vestir suas véstias, notará que de trás de uma pedra por alí perto, havia alguém observando-a, como um caçador admirado com a beleza in explicável de uma ninfa. E era ele,o desconhecido.
Não conseguia se mover, era como se os seus pés estivessem pregados naquele lugar, sabia que corria perigo, mas mesmo assim não correu,esperou que ele chegasse até ela. Sua beleza era extra ordinária, estava sem sua vestia de cima, seus músculos definidos e seu peito desenhado como uma escultura esculpida na mão de um Deus. Uma pele morena, seus lábios tão carnudos dividia-se em um pequeno sorriso de lado, e uma expressão indecifravél dominava seu rosto por completo, realmente era lindo. Estava embriagada por ele, e ela nem o conhecia, aos poucos voltou aos seus sentidos, e notara a situação constrangedora que se encontrava:
- Como ousa-te observar-me desta forma? Estavas com pensamentos pecaminosos?
- Perdoe-me minha senhora, estava caçando um coelho por aqui perto e ouvi ruídos vindo deste lugar. Não quis assusta-la.
E ela que ainda não tinha ouvido sua voz, sentiu as batidas do seu pequeno coração acelerar, parecia uma canção.
- Estás perdoado ! Mas diga-me quem és tu?
- Mikael, filho de um dos teus empregados e estou aqui para servi-la.
- Então leve-me embora, daqui a pouco irá anoitecer e não quero caminhar sozinha, sabe se lá Deus o que podes me acontecer, a dentro destas matas.
Não trocam nenhuma palavra, as vezes seus olhares se encontravam e sorrisos ingênuos eram trocados. Katherine passara o resto do seu dia pensando em Mikael, até chegou comentar com uma de suas criadas.
Todos os dias Katherine o chamava para ajudar em coisas que ela não conseguia fazer, e o rapaz sempre atencioso em ajuda-la,era só desculpas para vê-lo todos os dias, mal se sabia que uma paixão ardente entre os dois, estava prestes a nascer.
Era dia de festa na aldeia dos ciganos, dia de fazer fogueira, ter bebida e muita dança com castanholas, e Mikael insistiu muito para que Katherine fosse, queria muito ensinar a ela sobre sua cultura, e a menina sempre tão curiosa lhe fazia todos os tipos de perguntas. Divertiam-se como loucos.
- Venha, quero mostrar-te algo que darei a ti.
Pegou-a pela mão e adentraram no meio da floresta um pouco afastada da fazenda, e Mikael a levou para a pedra da cachoeira. Era Lua cheia e as estrelas preenchiam todo aquele céu azul escuro.
- Katherine, diante de vós, entrego-lhe a lua e as estrelas para que não haja presente mais belo do que este, e que eles celem minha promessa de amor eterno. E saberás que vós me completará para sempre.
- Meu amado Mikael! Amarei a ti da mesma intensidade que vós me amas, e serei parte de ti, para sempre.
E diante daquele maravilho céu estrelado, juras de amor foram trocadas, então estavam entregues um ao outro, amando-se de forma pura, e seus corpos se completavam em beijos ardentes e carícias apaixonadas. Ele pertencia a ela, e ela pertencia a ele, nada os separaria, eram dois amantes em um só.
O tempo acabou passando e todas as noites se encontravam na pedra da cachoeira para se amarem perigosamente, ele a esperava sempre com uma rosa vermelha para entrega-la toda vez que ela partisse.
- Leve-a contigo, e se lembrará sempre desta noite, como se fosse a primeira. Amo-te.
Só que o destino lhes preparava uma armadilha, a peste tinha chegado aos ciganos e Katherine já temia o que estavas prestes a acontecer. Perder seu doce e amado Mikael.
Ele estava doente, e ela não suportara a ideia de se separar do seu amor. E ela o visitara todos os dias, não queria deixa-lo ir, mas era preciso, ou a peste a pegaria também. Mas ela chorava ao vê-lo fraco e pálido, pequenas feridas se formavam em seu corpo, e ele para acalma-la sempre cantava uma canção ou dizia-te as mais belas palavras que seu amor podia lhe porpcionar.
- Minha amada Katherine, não chores, eu voltarei para ti, nada há de nos separar, lembra-te que tu és um pedaço meu?
- Mas Mikael, a ideia de perde-lo sufoca-me,mate-me a alma por dentro. Não viverei sem ti, tirarei minha vida.
O rapaz preocupado em ser culpado da desgraçada que a moça estava prestes a fazer, acariciou-a a face e disse:
- Não é pra vós fazer isso, eu prometo-te,voltarei para lhe buscar. Amo-te docilmente, apenas espere por mim.
E assim então fora suas últimas palavras, aquela noite estava muito fria e Katherine remoeia-se de chorar, sentia aquela dor na alma que chegou a pensar que morreria, não poderia ser justo,já perdera a mãe, o pai e agora o seu amado. O que será da sua vida? Por quê o destino lhe machucara tanto?
Os seus criados tentavam a acalmar a sua senhora, mas nada adiantava, ela passara dias chorando por causa da perca, sua vida acabara de perder toda a beleza, nada mais lhe chamava a atenção, nada lhe fazia sentido e não queria mais viver.
Estava um dia olhando-se ao espelho e pode ver que tinha engordado. Mas como isso?Já que mal se alimentava. Então algo passou pela sua cabeça e uma sensação de espanto lhe tomou o corpo todo. Não era possível que aquilo tinha acontecido, mas uma esperança crescia dentro, desceu as escadas correndo, chamando os seus empregados e mandando uns deles a cidade,para que mandasse um doutor vir lhe visitar. Todos estavam preocupados, mas ela não dissera o motivo, apenas mandou-os.
Já era tarde quando o doutor chegou, trancou-se no seus aposentos junto a ele, e estava confirmado, Katherine esperava um filho. Um filho de seu amado Mikael! Ele lhe deixara um presente,e pelas contas da morte de seu amado, se confirmava com o exame do médico, já fazia 1 mês que carregara um pequeno fruto de seu único amor.
Katherine estava empolgada, sentia uma felicidade que jamais sentiu antes, contara para todos os seus criados e todos os parabenizaram, e cuidava dela para que se tinha todos os cuidados necessários. Ela tinha um motivo para continuar a lutar,um motivo para viver.
Era tarde fresca de Primavera e ela estava sentada na varanda caricando sua barriga e cantando uma canção, e então sentiu uma dor vindo debaixo. Estava na hora, não sabia se era menino ou menina, mas o seu ou sua pequena queria conhecer o mundo.
Uma de suas criadas era parteira, e então levou-a rapidamente para o quarto, e a mandava fazer força. Foram horas longas e finalmente todos apreensivos, o silêncio da casa e os gritos de Katherine foram substituídos por um choro de criança.
- Diga-me,é menino ou menina?
- És um menino minha senhora, um menino lindo e saudável, com lindos olhos verdes.
- Dê-o para mim, deixe-me segurar um pouco meu amado filho.
Ela então o tomou em seus braços e chorou de emoção, realmente era um menino lindo, forte e saudável.
- Ele terá o nome de meu pai, Lord Gregore.
- É um lindo nome senhora, sei que o patrão ficaria muito feliz por saber que seu neto tem o mesmo nome que o dele.
O pequeno Lord crescia saudável, era a alegria da casa, e cada dia parecia ter a vontade de aprender as coisas, tinha as feições do pai, a sua bravura, mas era inocente como a mãe e tinha um coração que não lhe pertencia, era um menino bom para com todos.
- Meu pequeno Gregore será um grande homem quando cresceres, e tudo que é meu, lhe pertencerá.
- Mas mamãe, não me deixarás não é?
- Jamais meu pequeno.
Então ela o tomou em seus braços e o abraçou forte, sentia o amor entre os dois fluir, ele era sua alegria, e ele a admirava.
Os tempos se passaram, o pequeno Gregore já não era mais um menino travesso, era um homem forte e decidido, e tinha um mundo a conquistar. Todos os planos da fazenda eram por sua conta, já que sua mãe se encontrava uma senhora cansada, mas mesmo com o tempo, não deixou de ser bela, seus cabelos já estavam ficando embranquecidos e suas expressões já demonstrava que estava cansada da vida, era preciso partir.
Gregore tinha viajado a negócios da fazenda e foi avisado que sua mãe estava doente e queria muito vê-lo antes de partir, o rapaz preocupado com a saúde da mãe, retornou a fazenda para ver como ela estava.
Estava deitada em uma cama, cansada e já fraca, não se sabia o que era, o médico apenas dizia que era por causa da velhice.
- Minha mãe és nova para partir, o que será de mim sem vós?
- Não te preocupas meu filho,serás um homem nobre e saberás o que fazer. Já que nunca lhe contei sobre o teu pai, deixarei um pequeno presente, na biblioteca tem um pequeno diário e ele tirara todas as tuas dúvidas sobre mim, teu pai e o que precisara saber. Mas só o abra quando eu partir.
- Tudo bem minha mãe, amo-te.
Então ao ouvir isso a Katherine sorriu e fechou os olhos, aos poucos estava partindo, sua expressão era calma, parecia que estava dormindo, era até bela em seu leito de morte.
Então foi assim toda a história desta doce mulher, e o que acabo de lhe contar é história de minha amada mãe, e que sou fruto de um amor puro. E as tuas ultimas palavras escritas neste diário foram: Me juntarei para eternidade junto de meu amado Mikael.
E sei que meus pais se amaram de forma in explicável, e ambos se pertenceram um ao outro,entregues em um amor além da vida.
Diário de Lord Gregore.
Aut: Vanira de Oliveira.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Linda história!!!!
ResponderExcluir